COMO O RACISMO APARECE NA PSICOTERAPIA?
Como os efeitos das diferentes formas de racismo podem aparecer na psicoterapia? De que formas um profissional pode identificar que as queixas do paciente têm relação com o racismo?
Muitas vezes as queixas e demandas da população negra na terapia estão relacionadas a dificuldades e insucessos em ambientes educacionais e profissionais e/ou nas relações interpessoais e afetivas.
Por ex., uma paciente pode queixar-se do seu trabalho, dizendo que não se sente capaz de realizar suas funções e que tem um medo constante de ser demitida. No trabalho ela enfrenta fortes críticas dos seus superiores, desconfiança dos clientes e não possui colegas próximos.
Um adolescente pode queixar-se de que não vai bem na escola porque não consegue prestar atenção na aula. Ele diz que foca em se esforçar p/ que ninguém note a sua presença, assim evitando piadas relacionadas a sua aparência.
Uma mulher pode queixar-se de que o parceiro (branco) não a apresenta para a família dele e que não faz planos p/ o futuro juntos. Além disso, ela se sente muito insegura quando eles saem para lugares com outras mulheres mais bonitas e interessantes que ela.
Todas essas situações estão relacionadas ao racismo e provocam impacto na saúde física e mental da população negra. Os indivíduos negros costumam associar-se a características negativas, como "feio", "burro", "incapaz". Os sentimentos de inadequação, insegurança e incompetência juntamente com a baixa autoestima e maiores níveis de estresse podem provocar quadros clínicos de transtornos graves como ansiedade e depressão.
Como o psicólogo pode lidar com essas queixas?
Primeiro: el@ deve reconhecer e validar que as queixas estão relacionadas a efeitos do racismo. Algumas vezes o próprio paciente vai explicitar que o seu sofrimento é consequência do racismo e outras vezes você pode ajudá-lo a identificar.
A partir daí, o profissional pode auxiliar no reconhecimento da identidade racial, das potencialidades, dos interesses e sentimentos do paciente. Incentivando a criação ou fortalecimento da rede de socioafetiva do paciente através de contato com grupos de apoio, grupos de ativismo e até mesmo com o próprio círculo familiar, desenvolvendo a sensação de pertencimento e de confiança p/ compartilhar suas experiências enquanto pessoa negra. O fortalecimento de vínculos pode ajudar a elevar os níveis da autoestima do indivíduo. O psicoterapeuta também pode trabalhar com estratégias de enfrentamento das violências raciais e formas de autocuidado.



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